
Créditos: CAA-NM
Entre os dias 19 e 23 de maio de 2026, em Montes Claros (MG), ocorreu o encontro “Vozes e visibilidades dos Povos e Comunidades Tradicionais nos debates internacionais: pastoralismos e outras práticas de resiliência à desertificação e às mudanças climáticas” promovido pelo Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, vinculado à Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (SNPCT) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), o Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA-NM), o Institute of Development Studies (IDS) e a Cooperação Suíça – HEKS.
O encontro teve como objetivo o alinhamento estratégico para 2026, Ano Internacional das Pastagens e dos Povos Pastoralistas pela ONU, e ano da COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).
O Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa participou por meio do Pecuarista Familiar Tradicional do Pampa, Fernando Aristimunho, e da Kilombola e pecuarista familiar, Mariglei Dias de Lima, ambos “pastoralistas”.
Os povos pastoralistas são grupos cujos modos de vida e organização social estão ligados à criação e ao pastoreio de animais. Suas práticas contribuem para o manejo sustentável nos territórios, a conservação pelo uso da biodiversidade em ecossistemas distintos ao redor do mundo. O debate sobre pastoralismo dialoga com práticas tradicionais desenvolvidas por povos e comunidades tradicionais brasileiros, a exemplo dos Pantaneiros, Caatingueiros, Vazanteiros, Geraizeiros, Pecuaristas Familiares Tradicionais do Pampa, Comunidades de Fundo e Fecho de Pasto, Retireiros do Araguaia e Apanhadores de Sempre Vivas.
A programação do primeiro dia ocorreu em Montes Claros, na Área de Experimentação e Formação em Agroecologia (AEFA), do CAA. Em seguida, as atividades foram realizadas na Unimontes e, por fim, foi realizada uma visita de campo ao Assentamento Americana, em Grão Mogol.
Entre diversos debates, rodas de conversas, apresentações e compartilhamento de experiências, o encontro representou o início de uma aliança entre Povos Pastoralistas de diversos biomas do Brasil, além de povos de outros países da América Latina e das savanas africanas – um espaço para impulsionar a ação internacional coordenada para o próximo ciclo de negociações climáticas, da biodiversidade, conservação dos modos de vida tradicionais e de governança da terra.
A mobilização em Minas Gerais também integra a preparação brasileira para as próximas sessões dos Órgãos Subsidiários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (SB64), previstas para junho, em Bonn, na Alemanha.
Durante o encontro, representantes dos Povos Pastoralistas elaboraram, com o apoio do MMA, recomendações a serem levadas aos debates multilaterais sobre desertificação, seca e mudanças climáticas.

Foto: Valdir Dias
COP17 de Desertificação
Realizada a cada dois anos, a COP17 da Desertificação é o principal fórum global voltado à busca de soluções para os desafios da desertificação, da degradação dos solos e da seca. A conferência reunirá, entre os dias 17 e 28 de agosto de 2026, em Ulaanbaatar, na Mongólia, delegados de 197 países, entre chefes de Estado, ministros, representantes de organizações internacionais, comunidade científica, sociedade civil e setor privado.
A edição ocorrerá em um contexto estratégico, já que 2026 foi proclamado pela ONU como o Ano Internacional das Pastagens e dos Povos Pastoralistas, iniciativa que busca destacar a importância da gestão sustentável das pastagens e dar visibilidade às mais de um bilhão de pessoas que dependem diretamente desses ecossistemas em todo o mundo.
O Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa vem, há mais de 10 anos, dialogando e incidindo, junto ao estado do Rio Grande do Sul e junto ao Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) para efetivar o reconhecimento da Pecuária Familiar Tradicional do Pampa como comunidade tradicional no âmbito do CNPCT. Portanto, integrar esse debate e articulação enquanto Povo Pastoralista é um passo importante nessa construção política.

Foto: Valdir Dias



