
O evento “1º Maio Cigano na 4ª Região”, promovido pelo Ministério Público Federal (MPF) e organizado pela Procuradoria Regional da República da 4ª Região (PRR4), ocorreu no dia 7 de maio, as 14h na sede da PRR4 em Porto Alegre, RS, contou com cerca de 80 pessoas e também foi transmitido via canal do MPF no YouTube.
A Procuradora-chefe da PRR4, Ana Luísa Chiodelli, fez a abertura do evento, que foi conduzido pela coordenadora do Núcleo de Apoio Operacional à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão na 4ª Região, Daniele Cardoso Escobar.
A mesa reuniu especialistas e lideranças da temática: Eliana Torelly, subprocuradora-geral da República e coordenadora da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão – 6ª.CCR do MPF (Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais); Patrícia Moraes de Lima, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenadora do Mapeamento de Famílias Ciganas da Região Sul; e Rosecler Winter, cigana da etnia Sinti, integrante da Associação dos Ciganos Itinerantes do Rio Grande do Sul (ACIRGS), do Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa e da equipe que realizou o mapeamento.
Também participaram do evento, o Procurador da República Ricardo Gralha Massia, o Procurador da República Daniel Luis Dalberto, coordenador do GT Povos e Comunidades Tradicionais da 6ª.CCR do MPF, e a Coordenadora Geral de Políticas para Povos Ciganos do Ministério da Igualdade Racial (MIR) Edilma do Nascimento Souza.
Participaram do debate representantes de diversas etnias Ciganas presentes no estado do Rio Grande do Sul: Sinti, Sinti Gourbeta, Rom, Rom Boyach, Lowara Calom, Losharo, Kalderach; além de representantes do Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa, a Yalorixá Lucia Clara Romero de Lima de Uruguaiana e o Pecuarista Familiar Tradicional do Pampa Fernando Aristimunho de Quaraí, além da própria Cigana Sinti Rosecler Winter de São Leopoldo.
A mobilização de representações Ciganas vindas de diferentes municípios do RS, contou com articulação do Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa e da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), e com o apoio do Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS).
Durante o evento foi apresentado o Relatório Final do Mapeamento de Famílias Ciganas da Região Sul (abrangendo as etnias Calon, Rom e Sinti), elaborado pela pesquisadora Patrícia Moraes de Lima e pelo pesquisador João Carlos Nogueira, resultado de um trabalho que reuniu lideranças Ciganas, Universidades e Governo Federal (MIR).
O Mapeamento oferece um diagnóstico inédito sobre territórios, rotas e o acesso dessa população às políticas públicas no Brasil e identificou questões centrais relacionadas à gentrificação, à itinerância cigana, aos modos de vida, à economia e à situação de mulheres e crianças. Dentre os principais problemas estão a dificuldade de acesso à educação e à saúde, bem como o deslocamento forçado de famílias para áreas insalubres, por vezes devido a perseguições policiais às comunidades.
A apresentação do Mapeamento, e os debates, trouxeram a realidade vivida pelos Povos Ciganos no RS: dados oficiais fragmentados e insuficientes; ausência de políticas públicas e ações afirmativas; vulnerabilidade extrema diante de eventos climáticos e a luta constante contra discriminações e preconceitos. Também foram feitas sugestões como a inclusão da população Cigana no próximo censo demográfico e a possibilidade de integrar as informações com o a Plataforma Territórios Tradicionais vinculada ao MPF.
Ao final do evento houve divulgação do livro infantojuvenil “Aurora”, de Rosecler Winter, obra vencedora do I Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil para Ciganos e Quilombolas (2025) e que é instrumento de visibilidade, formação e fortalecimento da identidade Cigana. O prêmio foi promovido pelo MIR em parceria com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.
Projeto Maio Cigano – MPF
O projeto Maio Cigano, iniciado pelo MPF em 2018, busca enfrentar a histórica invisibilidade dos povos ciganos nas estatísticas oficiais e garantir o respeito à sua identidade cultural como patrimônio brasileiro.
Também visa combater o racismo e a xenofobia contra as comunidades ciganas; sensibilizar gestores públicos sobre os direitos específicos desses povos tradicionais; promover a inclusão e dar visibilidade a uma das populações mais vulneráveis do país.
Para mais informações acesse o site do MPF

Fonte: MPF



