
No dia 21 de fevereiro pela manhã, na sombra das árvores do Campus Dom Pedrito da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), aconteceu uma roda de conversa reunindo movimentos sociais, além de povos e comunidades tradicionais, que fazem da conservação do bioma Pampa um modo de vida e uma prática cotidiana de resistência.
A roda de conversa foi uma promoção do Curso de Licenciatura em Educação do Campo (LECAMPO), dando continuidade à iniciativa de chamar os povos e comunidades tradicionais para dentro da Universidade, organizando espaços de trocas, com falas e escuta ativa, entre estudantes que estão cursando a licenciatura em educação do campo.
A roda de conversa abordou a importância de estarem ocupando esse espaço, assim como as dificuldades enfrentadas no tocante ao estar e permanecer no espaço da Universidade. Também contou com a escuta de lideranças comunitárias com reflexões e pautas de como a Universidade deveria realizar pesquisa e extensão, para que fosse cada vez mais em prol das comunidades. Houve também relato de lideranças do Movimento Sem Terra (MST) que participaram do XIV Encontro Nacional do MST, realizado em Salvador, BA.
Na trajetória do Curso LECAMPO, foram realizados um acampamento da juventude kilombola e três Encontros Internacionais dos Povos dos Campos, das Águas e das Florestas.

Em torno de 70 estudantes indígenas Kaingang estão matriculados na LECAMPO, assim como estudantes kilombolas e pecuaristas familiares, que lutam por uma qualificação diferenciada a partir do curso, tendo a certeza de que uma escola ativa no campo e com proposta de educação voltada para a realidade local, é fundamental para a defesa do Pampa e suas comunidades.
Participaram da roda de conversa estudantes, professoras e professores do Curso de Educação do Campo da Unipampa, pesquisadoras e pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e da Universidade de La República del Uruguay; assentadas e assentados da Reforma Agrária, o Programa de Educação Antirracista da Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e o Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa, que contou com a presença Mbya Guarani, Kilombola, da Pesca Artesanal e da Pecuária Familiar Tradicional do Pampa.
A atividade integra a retomada dos Encontros Internacionais dos Povos do Campo e compõe a programação da Jornada Universitária da Reforma Agrária (JURA), que neste ano traz o tema “Basta de violência contra os povos e a natureza! 1996–2026: 30 anos do Massacre de Carajás.”
Durante a Roda de Conversa foi realizado o lançamento de materiais didáticos voltados à defesa dos povos e da natureza, que agora contam com a parceria da Unipampa na sua impressão e uso pedagógico: a revista “Pampa, é aqui que a gente vive!”, produzidos pelo Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa e pela FLD; e os cadernos que compõem o E-book Corredores Bioculturais (cadernos referente ao Bioma Pampa e ao Bioma Costeiro Marinho) produzidos pelo Observatório de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (OLMA) e pelo Fórum de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMCJS), com colaboração do Comitê dos Povos e Comunidades Tradicionais do Pampa e da FLD. Os materiais foram reimpressos pelos Programas Pampa Alfabetizado e Escola da Terra em convênio com o PRONACAMPO e serão usados como materiais didáticos do Curso e em atividades de formação com docentes das redes municipal e estadual de ensino.





